Que a mais bela Flor de Lótus se desvende


14670620_1089149014467365_9084865019175641591_nQue a mais bela Flor de Lótus se desvende
E resplandeça incandescente
Tal como se desvenda perante tua cegueira
Essa bela mulher,
Promessa de divindade entre o teu corpo,
Livro branco ultrajado entre as mãos
Como se nos penhascos entre chorões
Lhe colocasses no véu estrelas
Assim se tornando farpas
Como uma cama vazia.

Tanto mar, meu céu, tantos rochedos
E não poder ser somente o vento que passeasse livre
Entre os cabelos!

Que a mais bela Flor de Lótus se desvende
Pois eu nunca soube dela e ela tanto soube de mim!
Ó inóspito deserto que parte pertenço a ti?
Ó poema por completar, dá-me um pedaço do teu odor?
Sou esta cama vazia.
Raios parta o amor que se invoca e se jura
Naquele momento em que os olhos esquecem a sua cor!

Que te masturbes meu amor pensando,
Sim,
Para sempre pensando naquela mulher
Ofertada para ti em corpete de núpcias
A quem colocaste estrelas caídas no seu véu
Enquanto rainha,
Como farpas no dorso de bestas.

Somos esta cama vazia!

© Célia Moura, 10.X.2016
(Steve Hanks painting)

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