ENTARDECER


10436089_666099623473863_1553809637528001432_n (1)ENTARDECER
Venho de véus verdejantes,
Pendentes de ternura ainda
Entre todos os penhascos
Buscando abrigo
Em qualquer abraço.
Trago na fronte a liberdade prometida dos caminhos torpes
De todos os homens bons
Dos quais me falaste entre cerveja, poesia e cigarros.

Venho das quimeras que a Lei me permite!
Sou a reivindicativa de mim mesma,
Entre o odor dos cravos,
Meu amor de puro cetim.

Trago uma criança triste pela mão.
Chama-se Humanidade.
Não, meu amor, ela não deseja que eu fale dela…tem tantos a fazê-lo!
Olha-me simplesmente, sussurra-me palavras de vento e de luz
Entre os cardos do martírio.
Questiona-me sim,
Até quando?

Entardeceu por aqui,
Na vida,
Meu amor,
Meu amigo!
Esta criança triste que jamais cresce,
Vai padecendo só pela estrada.
Nem tu, nem eu conseguimos arrancar os cardos
Da sua Dor…
Somos ruína de vontades somente, somos dormência
Castigo de impotência!
Mas eu ainda assim,…

…Venho pendente em brincos de cereja nas orelhas,
E no silêncio do peito, inauguro metamorfoses longínquas.
Embriago-me na paixão das palavras que nunca te disse
Sorridente,
Para saborear devagar o Outono das primeiras castanhas,
Entre o incenso e o abandono de nós.

© Célia Moura, in “Enquanto Sangram As Rosas…” (02/05/2011)
(Fabian Perez Painting)

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