MEMORIALE BENEDICTU


MEMORIALE BENEDICTU
E, se fez fel e desencanto,
febril seara,
revolvida em espuma,
a soluçar maremoto,
ventre mudo de espanto
por minhas mãos, bendito!

Foram gargalhadas de lágrimas,
escárnio zombando,
como um trapezista louco
rodopiando Mascagni,
qual, “Cavalleria Rusticana”
defronte às astutas hienas,
sorridentes!

Foram flores no Jardim do Sol
reivindicando mais vento nos canteiros,
e,
eis lautas as vozes das crianças
no dorso da airosa garça,
passeando serenidade por todas as praças!

E, foram guitarras de lamento
a vibrar os dedos à dispersão,
Primavera dos amantes,
rouxinóis enamorados a ressurgir encanto,
promessa de um fado!…

…E se fez ritual em fúria
na alma da poesia,
e se lançou semente ao solo,
repartiu-se o pão da vida…
Grito de alento num corpo de mulher rendida,
botão de rosa a palpitar o ouro das madrugadas,
carrossel pelos campos a girar,
rasgando colinas e outeiros,
beijando cardos!…

És meu rosto de silêncio evocado,
memorial de conquista,
magnífica tela quinhentista!
Mãe peregrina…
meu amor de amargura,
minha terra de candura,
ventura!
Ditosa seiva,
à poesia das vagas estendida!

© Célia Moura, in “Jardins Do Exílio” [05/12/2012]
(Ilustração -Victor Bauer Painting)

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