O TEU BANDOLIM


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Lá longe, meu amor
Bem longe,
Os barcos ainda partem do cais.
Sinto saudade meu amor
Sinto saudade,
Das tuas mãos a acenar entre a nostalgia do vento e o entardecer
Das gaivotas em debandada
E do teu bandolim
Que ressoava no silêncio da maresia
Entre toda a imensidão inimaginável.

Longe, meu amor
Tão longe,
Sobrevive ainda meu corpo nu,
Teu fogo posto
O elogio aos amantes.

Sem saber quem és sorrio.
Sem saber quem sou te dás.

Regressamos ao início.
A plenitude vem soberba junto a nós,
E tuas mãos permanecem em
Meus seios palpitantes de Primavera.
Tuas mãos inquietas, indecisas de menino,
Homem que és.

Ai, esta loucura de estar viva!
Vem somente extasiar-me com um carinho,
Ou mais um hino,
Enquanto os barcos ainda partirem do cais,
Meu amante de Outono, Inverno,
Inferno, Verão ou Primavera.
Trago na pele o odor de todas as madrugadas,
Da alfazema
Quando era menina,
Mas trago persistente o odor de ti e do bandolim
Em todas as maresias,
Trago na saudade a foz de um rio
Perpetuamente renascido em todas as negras tulipas, amado meu,
E esta loucura de estar viva,
E saber que estás em mim.

© Célia Moura, in “Enquanto Sangram As Rosas…” (17/05/2011)
(Cene Gál István Painting)

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