Palmilho ruas


315889_249596441755964_1854526128_nPalmilho ruas feitas de merda e alguma ousadia,
Entre os profetas de outrora
E o veneno das víboras
Que hoje me cospes na pele exaurida
Madrugadas de suplício ou ventura
De maresia
Entre arrepios de chuva,
E mendigos vadiando no meu corpo ido
Ecoando gritos de algas.

Percorrem-me todas as mãos da piedade,
Todos os becos da incredulidade,
E as frondosas árvores
Dos jardins sorrindo, ainda,
De onde me disseste adeus.

Perguntam-me quem sou,
E eu confundo-me
Entre aquela que te pintava,
E a outra
Que simplesmente era nada.

Palmilho girassóis entre memórias,
Quais punhais de safiras feitos de tortura
Entre os olhos das sereias
E as rudes bocas das possessas ciganas,
Injectando ciúme pelas searas
No degredo da Loucura…
…línguas de anacondas escancaradas à espera.

Percorrem-me todos os medos,
Toda a Liberdade
E um manto de veludo negro
Entre tantas mãos…

Sinto a fome dos mendigos
Nestas páginas de nada que palmilho,
Nestas ruas de soslaio, famintas.
Percorrem-me fantasmas de poetas mortos.

Caminhos são todos os percursos.

© Célia Moura (07.Julho.2011)

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