TRANSFIGURAÇÃO


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Mulher,
Mito presente,
Decerto não serpenteias mais
Entre Vitrais de Lua Cheia.

Serás ainda a musa
Por quem os Poetas clamam,
Ou o flagelo inscrito
Em rostos baços?

A hipócrita
Louca soberba,
Caridosa, por vezes
Não retém,
Nem asfixia
O hálito fresco
Das açucenas amantes
No teu corpo,
Em trajes nupciais.

Mulher,
Por onde vagueiam hoje teus pés,
Hastes douradas em submissão?

Mataste tu,
A víbora vigilante,
Assassina dos férteis sorrisos das crianças
E uniste tua breve alegria
Á sabedoria da Festa?

…E, a saudade, onde repousa?

Virá decerto no regresso das aves migratórias,
Ou nos olhos dos girassóis!

Essas vozes que ouves,
São baladas!…
E, as larvas ainda rodopiam arco-íris,
Enquanto acalentas as grotescas pedras da calçada.

Emerge em ti (burilada já és),
No convite desse raro Amor,
Dádiva do vento
E da solidão do mar,
Entoando um fado!

Já te despiram
Na pia baptismal
Todos os anjos do céu.
Eles te acolherão
No flamejante ventre da Terra Mãe,
Que por ti…
Se abre…

Por isso vem,
Ilusão pura
De beleza consagrada,
Com rosto de mito, de prata,
Ou somente de Mulher!

© Célia Moura, in “Jardins Do Exílio” (13 de Setembro de 2011)
(Marius Markowski Painting)

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