TANTO MAR E UM DESERTO


10628402_783065705075699_2348582648133422879_nTANTO MAR E UM DESERTO
Estala-me o sangue nas artérias dos dias
Enquanto meu grito se aconchega
Na tua boca de silêncio,
Nesses portões cerrados da madrugada
Que não se escancaram jamais…
Nas tuas mãos de ausência
Côncavas, vazias,
Arranco raízes de preconceito
Em requintes de ousadia
E ouço atarantadas as vozes:

– Fujam senhores, fujam
Que esta mulher é louca!
Os poetas são bichos estranhos!

Estala-me o sangue nas palavras,
Neste fel de vinho e desencanto,
Tanto mar e um deserto.
Tudo vendido, teu semblante rendido
Tamanha herança e este nó na garganta
Como corda que sufoca.

Estala-me o sangue no grito que já não grito
Mas remói como arado a terra do meu corpo,
Este absurdo de estar em ti
E não ser de ti.

© Célia Moura – a publicar “Terra de Lavra” (23/12/2013)
(Yanire Photography)

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