O Teu Natal


8548099_orig.jpgO Teu Natal, Irmão
Sento-me na margem do abismo,
Já nem sinto vertigens
Apenas no âmago
As entranhas se revolvem.

Se eu pudesse vomitar minhas próprias vísceras
Ah se eu pudesse!

Tu que consomes, insaciavelmente te consomes
Pára!

Tu que buscas o Natal da sofreguidão
Abarrotando “shoppings” nessa futilidade alienada
Como se fosses acéfalo
Sem pensar no teu Irmão
Ou quem sabe uma vez no ano te lembres que existem pobres.
Ah pois!
Vamos lá ser solidários, é Natal!
Vamos alimentar aqueles que penaram e se arrastaram um ano inteiro,
Tantos Zés, tantas Marias, tantos sorrisos de crianças abafados numa casa vazia…

A sorridente hipocrisia a bailar o samba, a rumba, o folclore da miséria
Ruído estridente de circo a transbordar aplausos frios.

Deus meu, Deus meu
Quem dera fôssemos somente lírios do campo
E ainda trouxéssemos musgo nas mãos
Como as crianças em nós ficaram esquecidas.

© Célia Moura – Dez/2014
(Takis Poseidon Photography)

Anúncios

Deixar um comentário:

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s