O Grito Do Silêncio


10368257_803689013048256_5517769257872004741_nO Grito Do Silêncio
Se o preço a pagar
És tu
Meu lírio ao alvorecer
Dos sentidos,
Meu sangue,
Este sémen
Que grita
Festa de germinação
Pois que seja!

Se o preço a pagar
É o silêncio da tua dor
Irmão,
Eu fico a dever!

Penhoro
Todas as pérolas
Viverei das migalhas
Na miséria da matéria
Mas na liberdade
Do ser
Vomitarei a náusea
Indignação de todas as vísceras
À condição animal de mim!

Ah, não me digam
O que tenho ou não que dizer!
Não o direi, não o farei!

Podem decepar meus galhos, minhas flores
Expor minha nudez no vosso circo
E gargalhar até às lágrimas,
Podem pintar-me de gratuitas aberrações
Podem até arrancar minha raiz
Mas saibam que não será no meu grito
Mas sim no silêncio
Que deixarei semente.

Eu pago o preço!

© Célia Moura, 26.III.2015
(Andrew Lucas Photography)

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2 pensamentos sobre “O Grito Do Silêncio

  1. Caro João Pinto,
    disso não tenha a mínima dúvida.
    Não propriamente se a sementeira será difícil de frutificar, pois isso é algo que ultrapassa muitas vezes a mediocridade humana, porém quem a tem feito ao longo de trinta anos irá continuar a fazê-la doa a quem doer, pague eu o preço a pagar, nem que fique a dever piruetas perante o Circo das víboras e das hienas…

    A mim basta-me o silêncio.

    Célia Moura

  2. Uma sementeira difícil de frutificar… mas, também, uma certeza de quem a faz.

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