Carta de Despedida Para Uma Mãe


13238863_996203717095229_4512253945541131046_nMinha querida Mãe,
(carta baseada em casos verídicos)
Perdoa-me mas o meu amor por ti não me permitiu desabafar a intensa angústia que me rasga de alto a baixo neste momento em que te escrevo, sabendo que quando leres estas palavras já não estarei aqui para te confortar, para te abraçar, para te dizer “mãezinha por favor não chores mais, senão eu choro também”, assim como sucedia quando era pequenino e choravas porque o Pai te tinha maltratato, e eu sempre ali do teu lado.

Acima de tudo preciso que me perdoes todas as vezes que fui ríspido que pareci insensível, distante até, por todas vezes que não consegui dizer – amo-te tanto Mãe…

Parto em breve.
Não tenho medo da morte Mãe, sempre soubeste que nunca a temi, mas deixar-te a ti e ao Pai sozinhos, totalmente desamparados essa sim será a minha maior condenação, muito para lá desta doença que me tem vindo a consumir por dentro e só agora descobriram.
Tarde demais Mãe. Eu pressentia que seria assim e assim foi.
Por isso nunca depositei grandes expectativas na medicina convencional, por isso sempre abominei hospitais, sabia que tudo seria em vão.

Mamã, por mais que eu te suplique que não sofras em demasia, eu sei que ao ir-me embora fisicamente daqui, partirá um pedaço de ti, por isso não ouso pedir-te coisa alguma senão que me guardes em todos os momentos de alegria.
Mãe, suplico-te que me sobrevivas por mais intensa que seja a Dor!
Guarda-me sempre com as gargalhadas que me eram inerentes e por favor não te vistas de preto por mim, nem andes a caminho da minha sepultura, eu não estarei por lá.
Sempre soubeste que quero uma campa rasa e se for possível planta ou manda plantar um pequenino jardim nesse local onde ficarão meus restos mortais, nada mais que isso!
Não gastes nem um cêntimo em missas por minha alma, sabes bem que nunca acreditei nesse género de coisas.
A minha alma e o meu espírito já estão entregues, já não precisam de nada, apenas da tua paz.

Sobrevive a minha ausência por mais violenta que seja, ajuda o próximo, dedica-te aos mais frágeis, dá-lhes esse amor que não poderei mais receber.
És mais forte do que algum dia imaginaste. És sim!

Mãe, faz aquilo que eu tanto desejei fazer e não consegui.
Eu estarei aí!
E nunca te esqueças que um dia nos voltaremos a abraçar e a beijar muito, no tempo certo, num local diferente onde estou agora enquanto me lês minha “pitchuquinha” adorada e nunca mais nos separaremos.
Eu ficarei à tua espera, Mãe.

Obrigada por tudo o que fizeste por mim, obrigada pela vida que em ti continuará.
Que Deus te ampare a dor e te fortaleça minha Mãe amada.
Prometo-te que onde quer que esteja agora estou mais feliz e liberto.
Beijinhos Mãe.
Até sempre!

Teu filho David com eterno Amor.

© Célia Moura, ‘Cartas Diversas’ (24.05.2016)
(Ilustração – “Google”)

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