Eu Hei-de Morrer Sorrindo


13692448_1024130647635869_9054175167458962365_nEu Hei-de Morrer Sorrindo
Eu hei-de morrer sorrindo enlaçada a uma árvore
Ainda que no deserto onde resisto
Não existam árvores,
Traçarei no teu corpo o húmus
Que me adorna a fronte sem sentido(s)
Enquanto meus dedos restarão na memória
Do piano e do saxofone
Ao som do violino.

Não pises as papoilas que dos meus seios
Hão-de brotar
Invadindo canteiros,
Nem ouses trilhar o uterino caminho de todos os seres
Ou todas as coisas!

Não penses!
Pensar é colocar em causa todas as definições, inclusive a ti mesmo.

Eu hei-de morrer enlaçada ao pensamento
Ainda que não chegue a conclusão alguma
Por mais que enlouqueça
E o pensamento doa.

Partirei no pó da estrada,
Talvez regresse à face mais uterina de um ventre
Partícula de pó levada pelo vento.

(©) Célia Moura, a publicar
(Ilustração – Jean-Claude Sanchez)

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