Para ti Pai


10245380_631019150315244_3688370046883016963_n (1)Para ti Pai
São tão pequeninos meus pedaços Pai,
minha voz não passa de um murmúrio de água escorrendo na bica da fonte
e grandes são os carvalhos, os campos,
tantos os caminhos!

Sabes Pai,
é precisamente quando grito a coragem
que estou de novo a gatinhar pelo chão de pedra
da cozinha
esperando os teus braços
e vejo de novo o teu sorriso
uns dias alegres, outros tão triste

Tem dias de abandono Pai,
chamo-te e tu não ouves
choro e tu nem vês.
estás exausto Pai,
tão exausto…

Foi por isso que deixei de te chamar
que não me permito perante ti chorar.

Sabes Pai,
por vezes vou até ao baloiço,
só o vento me embala
embora sejam pequeninos meus pedaços
já me expulsaram do Jardim,
mas é de madrugada que sempre regresso
a essa raiz que trago cravada,
como uma Luz que me guia.

Pai, estou de pé,
gatinhando junto a ti com toda a palavra Coragem.

Perdoa se a tua menina tiver que partir
sem se despedir.

Amo-te Pai!

© Célia Moura – 30-IV-2014
(Caras Ionut Photography)

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