OS AMANTES


os-amantes

Art/e (c) Alberto Pancorbo Painting

OS AMANTES
Semeiam alfazema
No rastro das virgens esculpidas
Em brumas de desassossego,
Os amantes.

E, vão expirando êxtase,
no cúmplice devaneio
das noites prometidas,
embriagadas na solidão das estrelas.

Entoam cânticos às pedras nuas do caminho mais ermo.
Balbuciam hinos
No enlaçar dos corpos,
Rebolando vida
No ventre maduro das searas sofridas.

Os amantes,
Ainda sobrevoam enigmas transbordantes de luz…
e, vão implorando sorrisos
Às sensacionais estátuas
Plantadas pelas praças.
Servos da paixão,
Ainda buscam um novo além
No limiar do cansaço.
Inventam a pintura,
Convocam os poetas,
E vão partilhando rituais de silêncio com a loucura
No escarnecedor semblante do desdém.

© Célia Moura – in “Jardins Do Exílio” (p. 79) – 2003
(Alberto Pancorbo Painting)

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