Em queda livre


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Aos poucos a vida pode retirar-nos tudo o que conseguimos, deixando-nos despojados, totalmente à mercê das intempéries, nus de qualquer afecto em queda livre sem noção de coisa alguma.

Quantos de nós sabemos que lamentavelmente isto é uma realidade da qual ninguém deveria dizer – eu estou acima disso, ou comigo não, impossível acontecer.
Quem dera que fôssemos nós no comando da nossa vida, porque se em parte poderemos ser, tem outra parte em que não somos coisa nenhuma!

Existe sim apenas aquilo que designo de essência, essa sim poderemos até aperfeiçoar, e a dignidade que nos cabe a cada um decidir, quando o mundo teima em “desabar” incessantemente sobre nossas cabeças. Podemos desejar ou não mantê-la até ao fim do fim.
Afinal, essa poderá ser a única herança que deixamos, do quão fortes conseguimos ser sós, de termos optado pelo caminho mais agreste, mas que a geração vindoura se orgulhe de nós com respeito.

© Célia Moura, “Monólogos Descontínuos” (05.04.2017)
[Foto – (desconhecida a sua autoria)]

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