NÃO TE DIREI ADEUS


nao-te-direiNÃO TE DIREI ADEUS, MÃE
Subitamente, teu sorriso de aurora, num botão de rosa
a resplandecer devoção,
como melodias de outrora.
Segredos nossos Mãe, pelo Jardim da evasão.

A visão dos teus olhos de mel ancorados
beijei
e ao firmamento roubei a luz cadente
para te consagrar de alegria entrelaçada
às minhas pequeninas mãos de lamento,
porém, a aninharem-se nas tuas, contentes!

Tudo me dói agora, Mãe!
Onde está a doçura do teu ventre,
para me serenar este infinito alento, sei lá de quê!
Onde o perdi, onde me perdi?

E tu nem sabes, Mãe
o horror desta dor que me sacode
no fel dos instantes!
Vida que se esvai estanque, no sangue!

E, esta ânsia desmedida
a chorar no coração
desfolhada e compulsiva!

Saberás tu, Mãe, que ainda te chamo?
E na dádiva, que radiante floresce
nos teus cabelos de ébano e de essência,
me permito ao lume da existência.

E dói-me constante a garganta,
dos gritos em sobressalto
a morrerem em cadência.
E esta sede, Mãe?
Esta sede, que nunca hás-de saber!

Sobrevive-me Mãe,
quando o derradeiro silêncio
do eterno útero prometido,
a sorrir, desperto
me saciar calando-me no efémero
do meu fado!

Não chores Mãe!
Nessa Primavera de despedida,
decerto seu abraço será terno
para acolher “tua” menina!

© Célia Moura (a publicar) (02.12.2012)
(Créditos de Imagem – Dicovert.Art)

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