MAIO


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Sobrevoaram-me
Cobras cuspideiras a tarde inteira,
Toda a noite gemeram em meu corpo irrequietas
Onde outrora se deliciavam planícies de papoilas e trigo…

Sobrevoaram-me vozes de renúncia pelos becos da memória
De assalto

Sobrevoaram-me meus próprios gritos,
Meu sangue escorrendo pelos dedos da vida
Tão aflito.

Sobrevoaram-me loucuras breves de instantes
Meu amor
Naquele sangue,
Seiva de palavras estancadas num garrote de tanta gente.

Arremessaram-me rudes pedras da calçada
180.º me feriram
Em meu pranto
E hoje sou córnea caprichosa do Sr. velho Tempo
No exílio de nós
Pelas esquinas de um sorriso
Que guardo
Numa papoila.

© Célia Moura (poesia) – 2011 (19/07/2011)
(Mary Dipnall Painting)

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