Absurdo de Azul e Mozart


10273869_914007598648175_7095671066601013159_nAbsurdo de Azul e Mozart
Que a noite me abrace nas cordas de um violino
e sejam rasgados todos os poemas
que nunca escrevi!
Néscios os poentes jamais celebrados
como esta multidão acutilando-se
acotovelando-se em azáfama…

Estéreis como as ruas numa noite de consoada,
mãos côncavas
de tanto entardecer na espera.

Pois que gritem os silêncios!

Sejam estridentes mais que o suficiente!

Emudeci, ceguei, paralisei na teoria do Absurdo
antes dela se ter revelado
unha encravada, saldo negativo,
penhora!

Pois que se esfacelem na Assembleia
e ‘arreganhem’ sorrisos entre os dentes
com restos de leitão, ostras e diamantes nas algibeiras!

Eu vou por aí como alguns cães menos afortunados
em busca das vossas sobras…
Saboreio com gozo o que vos torna estridentemente ocos
nesta ‘manjedoura’ celebrada de azul e Mozart.

Incenso-me de jasmim onde já sufoquei de beijos
e durmo só,
delicadamente só diante ao rio
observando cantilenas embriagadas de fastio
tantas velas, tantas jangadas deambulando à toa
e o desatino das frestas que sorriem desvairadas
à lareira.

© Célia Moura, a publicar “Terra De Lavra” [23.12.2015]
(© Aufik (A) Photography)

Anúncios

Deixar um comentário:

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s