Às Pedras Da Calçada


10354996_659484784135347_7525525773395954324_n (1)Às Pedras Da Calçada
Pois que se crivem balas
nas minhas coxas prenhes
de ilusão
que eu ainda assim rodopiarei
à chuva e ao vento
para te gritar meu hino.
meu sangue,
meu Amor!

E que venham arqueadas foices
em focinhos de hienas,
e pragas de sanguessugas
que eu saberei ser veneno
ou cinza apagada no esplendor
das alvoradas

E quanto a vós,
inúteis pedras da calçada,
pisando-vos,
vos humilho, com a certeza
de que bem presas ao chão por onde caminham
meus pés de alento
não passais disso mesmo,
inertes e toscas
assassinas ou até arte
à mercê das mãos
de qualquer um.

Pois que me crivem balas,
e eu renascerei semente.

© Célia Moura – A publicar “Terra de Lavra” (23 de Junho de 2013)
(Marc Hoppe Photography)

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