Confissão


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E após o julgamento findo,
As hienas babando, sorrindo
Ela se confessara culpada!

Sim!
Era a amante das madrugadas,
Silabava poesia entre os dentes
Tal como saboreava azedas
Enquanto catraia.
Era amante do mar noite fora,
Cantava-lhe seu fado em silêncio
Entregava-lhe seu corpo inteiro,
Ainda que sempre regressasse à eira
E ao mel inaugurado nas colmeias.

Sim!
Talvez fosse a prostituta mais virgem
Que tanto o dia julgava,
A mail vil
Por ousar tiaras de flores nos cabelos
E escancarar gargalhadas de desdém
Nos sussurros que a espezinhavam
Como a uva pisada nas adegas
Pelos homens,
Para que bebessem seu néctar depois,
E ousava cuspir-lhes no rosto
A mediocridade de serem nada
De nunca terem existido!

E após o julgamento findo,
Aliviando tão árdua jornada,
Exigiu que famintas as hienas
A devorassem numa baixela de prata,
Sorvendo vinho em copos de fino cristal!

© Célia Moura, a publicar (25.0V.2016)
(Imagem – “Google” Photography)

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