No dia em que eu morrer


13267810_994192297296371_2536515996289475953_nNo dia em que eu morrer,
celebrem com champanhe,
embriaguem-se de incenso,
façam ressoar as cordas do violino
e as teclas do piano! 

Embalem-me de rosas,
papoilas, jasmim, orquídeas e todas as flores do campo!
Que trinem as guitarras desenfreadas
junto à minha campa rasa!
Tragam-me malabaristas bêbadas
poetas e palhaços,
rock, jazz e convoquem todos os mendigos para o lanche!

No dia em que eu morrer,
haja alguém que chore
ainda que me não conheça!

Alguém que me destape o rosto ainda maquilhado
onde nascerão raízes mortas,
alguém que me olhe e veja o que ninguém viu.
Alguém que celebre a Poesia!

Nesse dia de partida e libertação
olhareis para os plátanos e eles estarão mais alegres,
olhareis para as aves rasgando o céu
e elas irão muito mais além.

Apenas que o violino chore, o piano o acompanhe e a celebração seja feita com champagne e rosas…

© Célia Moura, Maio de 2016

(© Howard Schatz Photography)

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2 pensamentos sobre “No dia em que eu morrer

  1. Toda a minha gratidão Odete Helena por estas suas palavras.
    Permita-me enviar-lhe um abraço desejando-lhe um dia de muita Paz & Luz.

  2. Extremamente bem feito e sentido, que me causou encanto e tristeza.
    Nada mais a dizer, ou só uma palavra a dizer: PARABÉNS por este lindo momento.

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