Tu és a prece que já não sei dizer


13319765_999619530086981_3587297481421831882_nTu és a prece que já não sei dizer,
Os olhos que sei de cor e não recordo
O sabor de os beijar.

Tu eras o bandolim e o banjo
Que eu quisera caminho,
A guitarra onde sempre me enrosquei
Como mais um acto inacabado…

Tu eras a mais elevada torre,
O poema de brocado vestido
Última rendição.
A girandola do tempo
Somente nossa,
Esse além de sermos dois
E nos contemplarmos um só.

Puta que pariu para nós!

Hoje contemplo entre uma taça de vinho
Teu semblante,
Esta rosa branca falmejante de luto
Adornando minha secretária
Onde escrevinho e digo tudo
Como os bêbados em redor da mesa de uma tasca
Porque estar lúcido
Essa sim é a maior embriaguez
Nesta enfermaria universal de loucos!

À merda com a rotina e toda a «normalidadezinha»!

© Célia Moura, 31.V.2016
(Fabian Perez painting)

Anúncios

4 pensamentos sobre “Tu és a prece que já não sei dizer

Deixar um comentário:

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s