Rasgar o Verso


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Estou pisando,
Repisando em cima do verso
Como meu avô moía as uvas
No lagar da adega,
E sinto-os destilar mosto do tempo.

Estou pisando,
Repisando, dançando sob a figueira mãe
O cadáver de um Sistema,
Estas grilhetas asfixiantes
Na minha canção de criança.

Sou fonte de vida
Nascente de água cristalina
Sou mel e sou ácido que não mata
Mas corrói,
E sendo mulher sou bicho também,
Rosa dos ventos me trouxe aqui
Se na seara me deleito, no canavial espreito
E faço da mata cerrada meu lar.
Rodopio entre as giestas, acaricio papoilas
As rosas eu beijo com devoção…
O mar esse, é meu amante, meu segredo
Na enseada me deixo fecundar
De azul.

Estou rasgando os versos
Como uma peregrina e largo seus pedaços
Por aí,
Sigo adiante despojada do nada
Mas consciente que Atitude é a consequência
De estar em alerta.

© Célia Moura – A publicar “Terra De Lavra” (24/05/2014)
(Steve Handerson Painting)

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