Breve Carta aos Companheiros


13335831_1030716387012183_1947301208986267708_nBreve Carta aos Companheiros
Que meus companheiros jamais entendam
As palavras que professo
A agrura do Deserto
E da fome ressequida na garganta
Já nem doendo no estômago,
Mas se tal suceder
Eu estou!

Que esta fome jamais lhes sussurre em sono
E que minha sede não passe
De uma quezília,
Afronta de milhares de crianças que já sem chorando
Me agarraram as pernas
Se pendurando ao meu pescoço!

Ah, quão vil impotência esta de ser humana!

Que meus companheiros me guardem
Como a heroína que nunca fui
Só para que não lhes doa tanto
A alma que em mim constantemente se agita!

Que me amparem o corpo se necessário for,
Mas nunca este horror
Nunca os desertos!

Que meus companheiros sejam para sempre cravos
E jamais entendam
As palavras que confesso!

© Célia Moura, a publicar “Terra De Lavra” 02.VI.2016
(Foto – “Google”)

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