Morrem-me os dias


1469917_750271298390028_6964839416910197894_nMorrem-me os dias
Nos ombros das planícies
Que teus olhos carregam como fardos.

Morre-me o entardecer dos gestos
Nos teus dedos de palavras nunca ditas,
Entre o Outono,
E o condão do riso das crianças
Que ainda sabem rir à chuva
Soltas
Na embriaguez dos teus olhos.

É quiçá por elas que não morro ainda
Porque meu leito de açucenas é pronto
É repleto,
E eu resisto,
Persisto
E não morro…

Morrem-me os momentos
Os portais da infância
No anoitecer das estrelas…
Porventura tê-los-ei deixado num varandim de quimeras
Entre o banal e a desgraça?!

Morrem-me as mãos
Em sua dormência
De cansaço
Exauridas de clemência, expostas ao sagrado
Expostas ao profano.

Morrem-me os dias a cada noite
Entre o silêncio,
Como num segredo debruado a areia fina
Que se esvai, entre os lábios dos amantes.

Morres-me nas palavras por dizer
Desta seiva, sangue e fúria da poesia toda dita
Entre lírios, orquídeas, lágrimas, gritos por findar
Inquietos…
Ai que quimeras trago como uma condenada amarradas aos meus pés,
Que predestinação a minha, viver à espera de te ver morrer assim…

Morres-me sim, meu amor,
Minha soberba loucura,
E eu aguardo, o sangramento das rosas
No meu exílio.
Enlaçada na bruma do teu corpo
Entre o vértice do silêncio e da loucura,
Permaneço à espera – junto à tua lápide de sossego –
No hálito dos meus sentidos.

© Célia Moura poesia – a publicar “Terra De Lavra” (21/06/2011)

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