DESTINO


DESTINO
Minhas mãos
Que jamais tocaram teu corpo, mulher,
Saboreiam teu andar de cigana,
Descalço,
Sobre o trigo.
Esse trigo já maduro, já rebelde do perder da infância…
Meu amor de abandono e de segredo,
Qual absinto.
Rosa vermelha entre os seios…ombros largos de Abril.
Meu destino.

Guardo teu riso de euforia a despertar todas as alvoradas
Minha amante, meu suplício…

Guardo tuas lágrimas de menina como uma promessa
Nenúfar de luar.
…E no teu ventre por mim incendiado de ternura,
Mulher,
Resplandecerá Semente
Tal como o lavrador lançando o arado à terra,
Só para ser tua eira, teu caminho, tua vereda,
O próprio pó que acaricia teus pés,
E poder contemplar-te para sempre
Na gestação de um hino,
Ou num grito,
Que minhas mãos erguem à ventania num compasso
De sinfonia,
Este pão, este caminho parido como um filho,
Este diálogo entre o silêncio e a coragem,
Entre o sangue e a seiva de um povo num agitar de bandeira,
No teu ventre de Mulher.

© Célia Moura, in “Enquanto Sangram As Rosas…” 22/04/2011
(Roman Frances Painting)

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