ADORMECI, NUM PÁSSARO AZUL


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Adormeceu em mim um pássaro azul.

Toda a noite dormiu nos meus seios, silencioso.

A chuva gritava feroz na vidraça.
O vento assobiava errante por entre os penhascos.

Que alma de gente terás tu, meu lindo e sereno pássaro azul?
As tuas penas são tal e qual o sofrer de alguns seres humanos.

Em ti, esvoaço um sonho, semicerro o olhar.
Meu pássaro azul, não sei quem és!

Adormeceu em mim um pássaro azul.
Silencioso.
Meus dedos adormeceram de cansaço,
Meus seios de nenúfares desejados também.
Tudo em mim já adormeceu menos eu.

Eu que continuo a ouvir a melodia da chuva na vidraça,
Agora mais calma,
Eu que continuo a embalar o meu pássaro azul,
Sem saber se ele é gente, ou se é efectivamente pássaro.

Enquanto vagueio no meu sono, distante
Sinto meus dedos tocarem em pássaros até de outras cores,
Laranjas, vermelhos, amarelos, brancos,…
Mas azul como aquele não,
Nem sequer em sonho.

Sinto que está ali,
No calor do meu peito,
Do meu coração.

Adormeceu em mim um pássaro azul.

Um pássaro de toda a gente e de ninguém como eu.
Adormeceu em mim.
Silencioso.

Nunca soube se teve alma de gente.

Sei que se aconchegou ao meu peito e ao morrer, voou.

© Célia Moura, in “Enquanto Sangram As Rosas…” [15/06/2011]
(Robert Cornelius Photography)

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