PURGA


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Não,
Não me rendo assim
Não encontro nada que me satisfaça
E se achar momentaneamente
Se desfaz,
Zaz-catrapás!…
E é como brasa, é cinza,
É vapor,
É nada!

Não,
Não quero,
Poderia dizer
Que por aí não vou,
Mas régia não sou,
E como gladiadora de mim
Nunca serei
Porque mouras me trouxeram até aqui.
Rosa dos Ventos me sussurra sul eu quero Nordeste.

Te convoco à dança,
Balanço suave
Provoco narcisos
Me dou no tranco
Da chalaça geral
E gargalho tua vaidade em desdém.

Balanço quimeras
Na purga deste circo de horror
A ele me entrego
Só para cuspir depois tua cegueira
Na polpa das maçãs
Traço a canela tua boca de marfim
Quero esculpir-te assim
Como peça rara
Só para num rasgo de lucidez
Te desfazer contra as paredes
Da casa branca e de mim.

© Célia Moura poesia 19/06/2014
(rastaschas photography)

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