MÁSCARAS MALABARISTAS


1922206_709771569106668_885144985610124455_nMÁSCARAS MALABARISTAS
Falai-me da lauta voz
Que suaviza nas colinas ecos de ternura
Remanescentes em sábias fragrâncias.

Falai-me profetas,
Dos profetas que foram
Antes de vós!

Das dunas em sobressalto
No silêncio dos povos
Que, oprimidos calam,
A essência.

De que temor
Vos refugiastes
Ó Homens famintos
Mais pobres
Que a paupérrima miséria!

Falai-me profetas
Sobre o Tempo
Tragando a sublimação da Beleza
Nas grinaldas de todas as órfãs!

Dizei-me qual o salmo
Que jorra no peito da insubmissão
Incandescente
Na imutável bruma
Do mutável Mito.

Falai-me
Das marionetas com alma
Da inutilidade das coisas úteis
Da eternidade do efémero
Que o teatral encerra
Quando desde o pano
E os aplausos confundem monólogos,
Máscaras malabaristas
Em movimento.

Falai-me
Homens tão prudentes
Da vossa amada prudência!
De que pranto vos lamentais
E que pranto lamenta o mar?

Se ainda voz soar voz na garganta
Falai!
Exultai!

Ousai a Liberdade possível
Na sua impossibilidade
Remanescente em embriagados cânticos,
Exaltada
Na silenciosa essência existencial
Do Ser…
…e, no enigma já sem véu,
Dos vossos escombros
Chorai todas as ilusões!

“Subis vós?
É verdade que subis,
Ó homens superiores?
Não sereis – perdoai! –
Como uma bola
Atirados para o alto
– pelo que tendes de inferior?…
não fugis vós de vós, ó vós que subis?…
F. Nietzche

© Célia Moura, in “Jardins Do Exílio” (14/07/2011)
(Lai ta butu photography)

Anúncios

4 pensamentos sobre “MÁSCARAS MALABARISTAS

Deixar um comentário:

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s