Meu Jardim


10376907_736219783128513_325678133671454998_nMeu Jardim
Espalhei dançando
Sevilhanas
Minhas negras pérolas
Uma a uma
Ao rubor da tempestade,
Como eram belas minhas pérolas!
As que me deste um dia
Amado meu.

Derramei meu xaile rendado pelo chão exaltado
Como o fado do Poeta
Que jamais cantei
E enrosquei nele a vida inteira.

Abençoada a chuva que não cessava de me molhar!
Abençoada “Bachianas Brasileiras N.º 5” de Villa-Lobos que me embalará na partida.

Sabes, talvez daqui a uns tempos tenhas um jardim para cuidares
E as rosas voltem a sangrar…

O jardim de todos os exílios!

Mas, sempre na Primavera voltarei com a migração das aves,
Só para te afagar o rosto e os cabelos,
Meu amor.

© Célia Moura – a publicar (23/11/2014)
(Yan L Photography)

Anúncios

Um pensamento sobre “Meu Jardim

  1. Que belo! Para ser recitado em um vergel árabe e para ser ouvido por pelo menos cinco sábios em conclave. E deve haver orchata, é claro. E deve acontecer em Al Andalus. Imprescindível. E se se for no século doze, melhor ainda. Gostei imenso. Um abraço.

Deixar um comentário:

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s