Por vezes há palavras

Por vezes há palavras
incisivas
que nos dilaceram a pele
como um ferro em brasa
marcando-nos a alma já liberta.

Sabes quando permaneceste entre os rios hesitando até ao mar?
Nenhum rio poderá ser oceano, tal como nenhum oceano poderá desejar ser rio

Deixa que te levem as fráguas do tempo, o deslizar na enseada.

Há palavras que nos doem como se nos arremessassem pedras
e fôssemos cães infestados de raiva.
São palavras que nos mordem o sangue,
não a essência!

São palavras mortas, repletas de maçãs podres
de uma boca que já amei, mãos onde me entreguei
e já abandonei pelos becos da miséria.

© Célia Moura (09.07.2017)
(Brett Walker photography)

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