A Casa Verde


12932832_996329647117524_5296719300348529972_nA Casa Verde
Eu tive uma casa verde
Viçosa como a Primavera
Plantada de raiz pelas mãos do meu Pai.

Imaginava magníficas casas cor de rosa
Com claustros imponentes
E paz rodopiando em asas de pássaros azuis
Consumindo minha sede
Enquanto meu Pai alicerçava nossa casa
E minha Mãe entre lágrimas e cantorias
Lhe dava uma mais valia.

E enquanto a casa verde crescia
A figueira e a cerejeira sorriam
O tal rafeiro negro esbaforido corria e assim eu também crescia
Dançando Alegria pelo jardim
Na outra casa branca onde então vivia.

Meu quarto, a escrivaninha bem junto à janela,
O tão desejado roupeiro incorporado,
Tudo tão pormenorizado, tão perfeitamente conjecturado,
Tal como a vida se previa.

Fugiram de mim todas as casas cor de rosa imaginárias
Ainda que de beleza sejam transbordantes.
Só aquela casa verde foi verdade.

A casa construída pelas mãos do meu Pai que me foi arrancada ao peito
No silêncio da madrugada
É por onde vagueio ainda esta alma tão desabitada de mim
Este verde das paredes onde me entrego.

© Célia Moura (a publicar)(06/04/2016)
(© Boonlert Rojanaboworn Photography)

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