Cravei neste meu ventre em flor


Cravei neste meu ventre em flor
Tão abocanhado por feras
Meu punhal de dignidade
Mas cuspi-lhes no rosto
Uma por uma as farpas
Com as quais já me haviam apunhalado
Esterilidade e condenação.

Cravei no meu coração os filhos que por Amor
Não pari!
Levei-os agarrados aos seios que vertem leite
De mãe e mel da abelha real,
Inacessível para quem nunca se desprendeu
Dos ramos da velha árvore.

© Célia Moura poesia (29. VII.2016)
(@ Carrie Vielle painting)

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