Não sei sentir mais nada


Não sei sentir mais nada
Após ter mordido o sangue desta dor,
Ausências que ferem meus olhos
Enquanto meu cérebro explode como um vulcão
Em fúria
Mas permanece num compasso de espera.

Não sei perder ao jogo da cabra cega
Talvez por nunca o ter sabido jogar
E ser pedra da calçada à solta.

Esta estadia por aqui
É catarse não sei de quê já!
Sinto urtigas nas pernas
Cardos entre os dedos,
Mas não me movo
Paralisei neste mundo em cataclismo.

Neste momento aveludado de negro e silêncio,
Não sinto mais que o respirar.

Quem me dera ir embora!

Convidar-vos para uma Festa,
Quem sabe a dos rouxinóis
E levar comigo todas as gargalhadas,
Os amores, uma pitada de mar e poesia
Todos os sonhos desfeitos
Entre as mãos sobre o peito
Até à origem de todas as quimeras.

© Célia Moura (19.VII.2017)
(© Lisa Holloway photography)

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