CORPO EM FÚRIA


corpo-em-fúria

Art/e (c) Andre Kohn Painting

CORPO EM FÚRIA
Desleixei-me para ti,
E parti!

Que desta vida abençoada,
É a maldição a sorrir-me descarada!

Ela que era quase tudo,
Hoje é nada!

Nunca te pertenci, ó Vida!

Meus filhos que não tenho,
Jamais seriam de alguém!

Dar-me-iam abraços, vénias,
Bateriam palmas de palavras e ilusão,
Vida doce, Vida amarga,
Que honra seus filhos
Com a desventura,
Te grito:
– Não és absolutamente nada!
Somente vazio total na boca das víboras,
E escorpiões ousados,
Famintos!

Desleixei-me para ti,
Não te quero mais,
Cruel madrasta!

Desejo somente permanecer
No paraíso dos sentidos,
Remexer nua, o corpo em fúria,
E mais nada
Ó vida descarada!

© Célia Moura – in “Enquanto Sangram As Rosas…” (p. 14), 2010
(Imagem – Andre Kohn Painting)

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