A Casa de Outrora


A Casa de Outrora
Regressei à casa branca de outrora
Onde ainda resistem memórias de nós.

Em vez de cravos
Hoje nos canteiros do presente
Crescem suculetas e viçosas rosas de pedra
E em vez de gargalhadas ou choros
É o silêncio que me inunda o rosto.

Sabes, precisei voltar a empinar-me no degrau do portão
A nossa rua parou no tempo
Com excepção do anónimo trânsito.
Os casebres defronte sabem-me a finais de tarde
A amoras, gelados e refrescos de morango
Nos degraus da escada onde por vezes saltitavam
Pássaros.

Já não se ouve Tchaikovsky no jardim
Já ninguém sobe ou desce apressadamente aquela rua
E também já ninguém chama por mim.

Mas foi preciso regressar à casa branca de outrora
Beijá-la com o olhar
Envolvê-la suavemente como numa oração
Para voltar a ser raiz.

© Célia Moura – poesia 23/08/2016
(© Gleb Goloubetski painting)

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