Passo pela rua alheada de formas


passo-pela-ruaPasso pela rua alheada de formas e já nem tu me reconheces.
Olhas-me sem qualquer sorriso de esperança, sabendo que por mais museus que existam por descobrir, nenhum terá os mesmos encantos de há vinte anos atrás quando tudo era uma terrível descoberta de adolescência onde fazíamos amor nos poemas e nas ruas por onde caiam exaustas as últimas folhas de Inverno.

Será que ainda te lembrarás da forma como me olhavas, da forma como não te cansavas de me gritar o quanto era bela quando insistias em me deixar os ombros desnudos?!
Sabes-me a mel e a saudade.

(©) Célia Moura, ‘monólogos descontínuos’
(Hamish Blakley Painting)

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