Sob arcadas de prata


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Sob arcadas de prata
a madressilva repousa soluços
nos vértices da mentira.

E, sernpre esta compulsão acarminada de plenitude
a doer-me na garganta,
desesperada,
na agonia dos cardos,
como um filho que não nasce
na presença das insuficientes palavras que vão calando
a embrionária saudade.

Regresso à Origem…

Revolvo os escombros da infância esvaída na aura do firmamento.

Desencontradas sementes!

Sob arcadas de cristal
a madressilva respira segredos de prata. Vai sorrindo nas arestas do desdém.

E, os intemporais soldados
rebolam gargalhadas escarlates,
desenham a imperfeição estilhaçada
das sornbras
na caserna dos dias,
e vão queimando instantes de solitária glória
Escarnecem o medo
nos olhos das crianças,
sob as máscaras,…
de lágrimas!…
E, sempre a madressilva
a acolher-me este pranto,
num arrojado gemido de piano,
perseguindo nas vielas
a Coragern,
enquanto os cisnes, companheiros da vertigem
incendiada de distância,
pressentem a poesia
em brados de cólera
na voz de uma peregrina
que me chama.

© Célia Moura – in “Jardins Do Exílio” (p. 47) – 2003

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