Esperança


Art/e - (c) Alain Dumas painting)

Art/e – (c) Alain Dumas painting

Esperança
Abri todas as grades
mutilei todas as minhas grinaldas
despejei dos poros as ‘ites’
vomitei vísceras de antepassados.
Serei sempre um balde derramado de nada!

Nasci e me executei do lado errado da estrada.
Amarelas, verdes e vermelhas as campas que me acalentariam,
fiquei-me pelo esvoaçar na eira
sem nunca ter sido encontrada.

Escancarei demais a insónia
e adormeci em todas as tempestades.
Sinto a chuva nos seios e nos cabelos.
Estou um balde despejado em plena rua despida
absorvendo “champagne”.

A Lua é o cristal prometido que ficou na vidraça
como um útero ou uma gruta de Afro.

Abri todas as grades,
bebi meu sangue
lancei fora as farpas!

Traz-me um peito aberto
risonho de crianças!

© Célia Moura, a publicar (15.VII.2016)
(Alain Dumas painting)

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