Absolvição


absolvicao

Art/e (c) Mané Catrino, Photography by ‘a gota’

Absolvição
Meu irmão,
Meu amigo,
Connosco segue o destino
De mãos dadas com o vento,

Tu invocando o sol eu invocando as chuvas.

Meu amante,
Meu suplício,
Por nós se faz o Caminho!

Eu seca tal qual uma Rosa de Jericó
Tu menino saltitando, sorrindo, brincando
Com meu vestido de folhos.

Sou o limbo de todos os devaneios
Masturbação nos teus sentidos.

Prova-me na catarse!

Embriaga-me no veneno das víboras,
Purifica-me no fogo dessa paixão
Se for preciso!

Transforma-me em mariposa louca
Rodopiando em torno da Luz,
Mas sacia-me esta sede de água
Esta fome de mim!

Ressuscita-me na Ribeira
Onde ainda as pedras clamam meu nome
E os cágados fazem amor
Em pleno Agosto!

Tem aquela permanente e insistente criança
Que me pega pela mão,
Sorrindo
Entre cânticos, rosmaninho e a resina dos pinheiros
Tão amados.

Me olvida do atroz Deserto
E me recorda a Criação de Deus.

É quando que me absolves num beijo
Colocando-me uma tiara nos cabelos.

© Célia Moura, a publicar
(Ilustração – Mané Catrino, Photography by ‘a gota’)

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