O meu filho não será o teu filho


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O meu filho
não será o teu filho,
assim como o meu corpo não será
parte do teu corpo.

É este o meu ventre cerrado.

São estas as estações que venero
e eu venero as chuvas e a monção
venero o sol rodopiando
entre minhas mãos.

Meu filho
jamais poderia ser o teu filho
pois este traria alvorada e grito de aves.

Teus filhos
não sei quem são.
Não deixam marca, são o vértice
do nada!

Meus seios
interditos ao teu toque
são alimento que tua fome jamais alcançará,
meu sexo prazer somente de mim.

Meu filho
jamais poderia ser teu filho
tal como uma flor de lótus poderá florescer na enseada.

Dóis-me em todas as palavras proferidas
em todas as presenças de ti.

És o meu ventre cerrado!

© Célia Moura

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