Eu só desejava que me amasses


(c) “pixabay”

Eu só desejava que me amasses
nada mais.
Que teus olhos me vissem novamente quando me olhas
e já não me enxergas.
Eu só queria a alegria do teu rosto uma outra vez
e que voltasses a sorrir-me apenas por me veres.
Sei-te cego há tanto tempo meu amor,
desesperado, desiludido, desafortunado, ainda assim desperto!

Por vezes, como quem já nada mais tem a perder
desafio-te sem ter noção de como poderá ser fatal
o veneno de um escorpião amarelo. E permito que me mates
todas as vezes que te apetecer.
É quase viciante e indolor no corpo
a forma como me permito sufocar.

Como eu desejaria que te voltasses para mim
com a mesma paixão de outrora,
e me cuidasses como a tua tulipa negra!
Mas tudo isto é vão,
tal como vã eu sou.
Tudo é inútil e já nem palavras poderão existir…
gastamo-las todas!
Só a minha ausência te fará repousar a alma desfeita
e eu não sei para onde vou. Desencontro-me!

Quem dera eu sonhe ser uma criança à janela da vida
com um bibe azul e possa percorrer novos horizontes
recomeçando exactamente do local onde me perdi.

© Célia Moura
(Imagem – “pixabay”)

Anúncios