Sedução e Fim


(c) “pixabay”

Sedução & Fim

Vem ver-me hoje à noitinha
rodopiar na eira com a virgem
sem mácula
a qual seduziste com esse olhar ébrio de aço
doce como o mel onde me deliciei.

Vem cantar-me um fado
sem ar de fadista,
apenas por (me) desejares
conquistar o mar onde me deleito.

Vem dizer-me o que nunca terás coragem de fazer.

Eu sei de ti,
desde o tempo em que fazias dançar no chão o teu pião
e jogavas às caricas e ao berlinde.
Sei de ti desde os cravos arrancados com raiva
tombando inertes,
despedaçados dos braços de minha Mãe.

Sei-te desde o embrião e doeste-me nos fórceps
talvez por isso meu destino debruado a azul
ainda grite rebelião perante o sarcasmo
com o qual me despes sorridente.

Sei que jamais virás, que cirandar atordoado e ‘contente’
é não teres que malhar o trigo na eira
nem comungar da alegria genuína da nossa gente
assim como para recomeçar terias que morrer
e a morte apavora-te mais que viver!

Continuarei a voar com os pássaros
desenhando andorinhas no papel
e acabarei por te esquecer. Todas as palavras por desbravar
tantas as ousadias por viver…

© Célia Moura, Out/2018
(Ilustração – “pixabay”)

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