Pó de Perlimpimpim


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Pó de Perlimpimpim
Sou como a mais miserável,
por tantos amada
por mais outros tantos escorraçada!

Sou a que poucos amou, sendo forçada,
a alvorada queimando a escada
o estilhaço da granada que te apunhalou na garganta,
amordaçando tua boca de beijos.

Sou essa gaivota que grita e nada se agita!
O céu profundo que escurece nas pernas das moiras
lambendo-as eternidades de chá e jasmim.

Sou a caminhante que guia teus passos
e te afaga os pés num leito de carmim, meu doce pó
de perlimpimpim.

Sou como a serva que de noite recolhe à sua tenda
de vento,
estende a massa, leva a levedar o destino
e como meu suplício é porto de abrigo
o mar deixa que fiques comigo, sorrindo,
ondulando em suas marés
este meu amor tão entrelaçado em ti.

© Célia Moura – in “No Hálito De Afrodite” – Out./2018
(Ilustração – (desconhecida a sua autoria))

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