Homens Vazios


Homens-Vazios

(c) “Pixabay photo”

Homens Vazios
A crueldade não sabe do esvoaçar dos melros
nem do saltitar contente dos pardais
entre as esplanadas da cidade
comendo migalhas das mesas fartas
onde proliferam esgares
em agonia e tanta poesia.

O Homem não sabe a velocidade dele mesmo,
nem o quão é vão e inútil.
A tecnologia o envaidece,
enaltece e destrói!

A crueldade tem chifres no local do encéfalo
e pedras da calçada onde os olhos foram eviscerados
tudo tão legalmente constituído,
tudo tão em Assembleia votado!

O Homem se consome num sistema que ele mesmo constrói
e destrói!
Cíclico quanto o fumo do cigarro que se esvai.
Encefalite crónica, esquizofrenia colectiva normal e lúcida.

A crueldade desconhece limites.
Breve chegará o dia
em que o Amor será tão raro como um diamante rosa
e digo-te isto ao ouvido filho amado desta persistente insónia,
sabendo-te a salvo nas asas de todas as aves do céu.
Guarda-me nas asas negras dos melros!

© Célia Moura, a publicar
(Pixabay photo)

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