Surpreendo-te no esgar absurdo das palavras


Surpreendo-te no esgar absurdo das palavras

(c) “pixabay”

Surpreendo-te no esgar
absurdo das palavras
que vertem mel e cicuta
entre os mamilos do silêncio
e nem ouso corromper-te
nas entranhas dos dias.
Apenas te escuto, te sei
e não absorvo nada!

Observo-te apenas
no deambular das palavras
e das notas de um piano desafinado,
totalmente destrambelhado
caindo aos pedaços pelo soalho da sala.

Há muito que permaneci
inebriada nas ausências
também eu destrambelhada
pelo soalho da vida,
absurdamente calada
nesta ausência de nós!

© Célia Moura – a publicar
(Ilustração – “pixabay”)

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