Fluir como um rio


(c) “Google”

Fluir como um rio

Deixa-me brincar contigo
sussurrar-te palavras ao ouvido
mordiscar-te levemente as orelhas
emaranhando meus dedos nos teus cabelos de menino
enroscando-me ao teu colo
como se mais nada existisse.

Apeteces-me tanto!

Deixa-me levar-te
aos meus locais de exílio,
tu que sempre julgaste conhecer-me de lés a lés
e jamais ultrapassaste meu óbvio sorriso.

Apeteces-me tanto neste momento
que me dóis!
Mas talvez apenas por não te ter comigo
pois se estivesses
tudo não passaria de um momento tal como eu sou
e tudo o que anseio,
instantes!

Tudo flui em mim como um rio.
Meu sangue nas artérias, esta perda de mim
dentro de mim
a angústia sufocada de gritos no peito
e este peregrinar absurdo entre as gentes.

© Célia Moura, a publicar
[Imagem – “Google” photography (desconhecida a autoria da foto)]

Anúncios