Vazio De Nós


Art/e (c) Vadim Stein photograpy

Vazio De Nós

Nada
ninguém
silêncio atroz.

Tudo flui como minhas mãos
na enseada vazia de nós.

Já não há nada,
ninguém.

Foi assim que te matei
é assim que te espezinho meu amor de tormento
em cada tango dançado.

E tudo flui
tal como os ponteiros de um relógio que abominas
minhas mãos estão libertas de gaivotas
enquanto aconchego meus Irmãos na rua.

Silêncio!
Não tenho mais pelo que clamar
incendiada que foi minha há décadas.
Tudo não passou de uma embriaguez absoluta
e inútil,
trôpega desde a infância
onde sempre estiveste ausente.

Nada
nem ninguém!
Havemos de beber chá de cúrcuma, canela,
gengibre e malte respirando poesia
onde outrora a paixão nos matava!

© Célia Moura
(Vadim Stein photograpy)

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