Cães Girando Em Torno da Cauda


Ar/e (c) Denis Buchel photography

Cães Girando Em Torno da Cauda

A fome raramente grita ou mendiga,
tal como um bicho ferido ela se encolhe e geme.

A miséria jamais faz greve!
Só se for para se tornar ainda mais medonha
e feia, mais reles ainda num mundo de gente bela,
compactuando numa espécie de “greve de fome” silenciosa e letal a qual tem por nome anorexia.

Não, caríssimos, não me venham com merdas de politiquices
& politiqueiros!
Puta que pariu vossa ideologia vendida!
A fome nunca vos pertenceu, quanto mais a poesia!
Que sabeis vós do sonho se nunca haveis manifestado algum para além do banal?!
Foder com aquela gaja porque é tão boa que até dói!
Aceder aquele cargo porque ireis ganhar mais, ter um pénis maior para satisfazer a vossa mulher e já agora as outras que vierem também…
Possuir sempre o topo do topo de todas as gamas automóveis acabadas de criar, mais os iphones, os iphades e o raio que vos parta!

Arre! A ganância sim, essa eu vejo-a gritar,
espumar pela boca todos os dias
vejo-a matar pai, mãe, filhos, irmãos, até periquitos!
Insane, totalmente absurda na Bolsa de Lisboa como se nada mais existisse! Bácoros!
Imundos mais que a miséria com alguma dignidade.

Deambulai em torno do vosso umbigo, isso, deambulai até à loucura total…é isso que sois!
Deambuladores!
Cães à deriva, loucos em torno da cauda sem cessar.

A fome que me bate à porta,
por vezes é mais digna do que todos os vossos milhões
e a maior pobreza sem dúvida
será sempre essa asfixia como uma maldição
de desejardes sempre mais
e serdes como cães a girar
de língua de fora, loucos,
em torno da cauda sem cessar!

(c) Célia Moura, a publicar “Terra de Lavra”

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