Nunca (Mais) Me Esqueças Mãe


Art/e (c) Elena Shumilova photography

Nunca (Mais) Me Esqueças Mãe!

Sou o lado contrário do mundo,
o inverso de mim.
Raros foram os que me deixaram ser verdade
a esses chamei-os de Irmãos
amei-os mais do que a mim mesma.
Enquanto eles existirem
as madrugadas farão sentido
depois que saberei eu!

Sei que serei sempre o contrário do mundo
por mais que me esforce em lhe pertencer.
Ai esta ânsia!
Este pavoroso inverso de mim!

Quem me dera hoje Mãe o teu rosto belíssimo
esse teu riso,
sorriso!
Quão bela vives em mim com teus cabelos de ébano.
Sei que já não recordas quase nada
por mais que te fale de nós.
Sei da angústia de te perder,
tendo-te comigo
meu amor mais sublime.
Essa dor que como ácido corrói
cumplicidade nossa.

Perdão minha Mãe se sou esta coisa assim
do lado contrario do mundo,
este inverso de mim que jamais saberei dizer
incapaz, imperfeita, poeta estranha para ti,
miserável aprendiz de escritora
tendo perdido meu único balão vermelho
tão lindo Mãe,
lembraste?
Aquele que colava no tecto da sala que foi meu quarto
o qual deixei fugir pela janela da cozinha.

Sempre fui o lado contrário do mundo,
o inverso de mim.
Para onde terá viajado o meu balão vermelho?

Mãe, ainda que jamais ames ou entendas
as madrugadas onde te canto e me entrego
e para sempre eu seja
toda ao contrário do mundo
nunca mais te esqueças de mim por favor!

© Célia Moura
(Elena Shumilova photography)

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