Retorno à minha essência


Art/e (c) Willi Kissmer

Retorno à minha essência e volto a ser de mim,
ainda que enlutada,
percorra sozinha no grito das gaivotas
as vagas do nosso amado mar.

Saber-te em mim será sempre a minha maior alegria,
ter sido tua um dos melhores e maiores êxtases que alguma vez uma mulher possa ter experimentado.
Em ti me enrosco todas as noites lambendo-te as feridas dos dias onde te deixei liberto, à deriva de todos os meus caprichos
e foram tantos!

Por vezes tenho a sensação de que ainda estás presente
e a saudade fervilha nesta ausência de nós.
É como se te visse e ouvisse boquiaberto enquanto tentava arranjar os cabelos, perante tuas insistências:
– meu amor, como és linda! A mais bela das mulheres, é minha!

É por aí que eu vou quando tudo o que ouço agora é uma cruel e inoportuna mente gritando-me o contrário quase até à loucura!

Perdoo-te teres partido, mas nunca te teres tornares silêncio, cobardia e bicabornato de sódio
neste corpo onde explodem lavas, corpo de primícias tuas onde navegaram navios e tuas mãos de menino.

© Célia Moura poesia
(Imagem – Willi Kissmer)

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